Solos Culturais

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Guia Cultural de Favelas

jovens de favelas cultivando saberes e transformando a cidade.

04/04/2014 | Solos Culturais / Todos os territórios

Tá Rolando | Guia Cultural de Favelas

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Por Nalui Mahin

O Projeto Guia Cultural de Favelas tem realizado oficinas práticas e teóricas, com profissionais e ativistas da cultura do audiovisual, visando trocar informações, com os jovens participantes, para  a construção de vídeos,  textos e fotografias nos pontos culturais dos territórios que integrarão, de início, o Guia no mapa colaborativo.

Os encontros têm acontecido segunda, terça, quarta e sexta-feira. São duas turmas, em turnos diferentes. Nesses encontros são discutidos temas referentes a técnicas de vídeo, fotografia, iluminação, captação de áudio e outras temáticas que fazem parte do universo do audiovisual e da cultura. As  oficinas são um espaço para agregar e trocar informações, já que a maior parte dos jovens já possuem experiências prévias com o campo do audiovisual.

Com início no dia 25 de março de 2014,  aconteceram encontros com Jorge Barbosa, Carlos Meijueiro, Julia Mariano, Tadeu Lima e Josinaldo Medeiros, que ministraram as oficinas sobre cultura e território, mapeamento afetivo, roteiro, produção executiva e técnicas de documentário, respectivamente.

Na oficina de Julia Mariano, a troca foi, principalmente, sobre as diferentes possibilidades de construção de narrativa e tipos de linguagens que podem ser utilizadas para construí-las. Outros pontos muito debatidos foram técnicas de entrevista, soluções interessantes para otimizar a edição e maneiras de deixar o entrevistado a vontade, possibilitando uma entrevista fluida. Julia ressaltou a importância de ter conhecimento sobre o assunto, sobre o entrevistado, e também sobre ter um roteiro claro, que de alguma forma localize-o  dentro do contexto da narrativa, de forma que haja a possibilidade de mudar o rumo da entrevista, caso o interlocutor fale de assuntos não muito relevantes para a construção do vídeo, por exemplo.

Nessa mesma oficina sobre roteiro, Julia usou os filmes Ameaçados e Cadê os Amarildos?  para exemplificar e auxiliar as suas explicações. Outro ponto que não foi deixado de lado, foi a utilização das câmeras de celular como armas  jurídicas e de denúncia para a sociedade, e sobre os impactos dessa tecnologia para as mobilizações sociais, dentro e fora das favelas. O debate seguiu em frente e teve também, como assunto,  o Marco Civil da Internet e os impactos para o uso da rede.

O encontro com Josinaldo Medeiros foi pautado por assuntos como as influências do audiovisual na sociedade. Medeiros falou sobre os altos custo de produção de filmes há algumas décadas, e de como o barateamento das tecnologias tem possibilitado a diversificação do acesso a elas, de forma que pessoas de diversas classes sociais estão tendo acesso e estão produzindo narrativas a partir de seus olhares e vivências, quebrando um ciclo histórico de serem representadas apenas por terceiros e pela mídia oficialista.

Na oficina de produção executiva, ministrada por Tadeu Lima, a troca de ideias foi sobre os vários perfis de produtores e dos papéis que eles desempenham durante a pré-produção e na produção de set, tornando evidente a importância desses profissionais para que projetos se concretizem. Tadeu falou também sobre a necessidade de sistematizar as ideias para o filme e a forma como elas serão executadas, mesmo que não haja um roteiro completo, ele destacou a necessidade de organização prévia para que a quantidade de possíveis problemas seja reduzida e o projeto concluído. Essa sistematização deve contar com o motivo pelo qual o filme está sendo feito, a história que vai ser contada, uma ideia geral de como a filmagem vai acontecer e o orçamento.

Tadeu Lima deu dicas muito relevantes sobre a forma com que os produtores devem lidar com os roteiristas, com os patrocinadores e com as pessoas que trabalham no set, para que tudo aconteça sem problemas. Incentivou a todos a fazerem vídeos que não mostrem só pessoas falando, mas também o espaço no qual a atividade cultural é realizada.

As oficinas têm sido um espaço de discussão e ampliação do pensamento crítico, sem fugir dos objetivos, como o de aumentar o conhecimento  sobre técnicas de audiovisual, possibilitando que os olhares sobre as diferentes práticas culturais sejam expressados de forma honesta e satisfatória para todos os envolvidos.

 

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