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Guia Cultural de Favelas

jovens de favelas cultivando saberes e transformando a cidade.

11/06/2015 | Notícias / Tecnologia / Todos os territórios

Gambiarra Favela.Tech

Para se inscrever basta enviar uma gambiarra feita por você! Para se inscrever basta enviar uma gambiarra feita por você!

Em parceria com o Olabi e apoiado pela Fundação Ford, o Galpão Bela Maré, do Observatório de Favelas, hospedará em julho uma formação imersiva em cultura maker: o Gambiarra Favela.Tech. Durante duas semanas, dez participantes selecionados aprenderão e desenvolverão práticas e atividades baseadas em circuitos eletrônicos, gambiarras e uma série de aplicações “high” e “low” tech.

A facilitação das atividades será feita por Ricardo Palmieri, artista digital, produtor multimídia e especialista em interfaces interativas. Palm já recebeu duas vezes menção honrosa no Prix Ars Electronica (2010 e 2012), uma das maiores premiações de arte e tecnologia do mundo, e trabalha há mais de 10 anos com oficinas para públicos diversos ligadas ao campo da eletrônica, robótica e audiovisual. Ele participa das mais importantes iniciativas de “cultura maker” do país desde a MetaReciclagem, rede brasileira pioneira em promover a apropriação de novas tecnologias com um olhar de empoderamento dos cidadãos e desenvolvimento dos territórios, da qual faz parte.

Para explicar um pouco melhor como vai ser essa “ocupação” no Galpão, entrevistamos o Palm. Dá uma olhada no que está sendo preparado e corre para se inscrever! Para isso, basta enviar um email para solosculturais@observatoriodefavelas.org.br com uma foto ou vídeo de uma invenção feita por você e a descrição em texto (no corpo do e-mail mesmo) contando qual foi a ideia e o que você fez. Vale invenções artísticas, tentativas de experimentos caseiros, aquele conserto gambiarra do videocassete etc– o que você julgar que mostre seu interesse e disposição para colocar a mão na massa e hackear os objetos. Os participantes receberão um auxílio financeiro para participar das atividades, para permitir que tenham tempo e se envolvam com o projeto.

Como vai funcionar o Gambiarra Favela.Tech?

Palm: O Gambiarra Favela.Tech deverá funcionar na segunda quinzena do mês de julho no Galpão Bela Maré, em um formato que mistura um pouco de laboratório de ciências, oficina de manutenção de equipamentos e ateliê de arte. Durante dez dias, vamos nos reunir com os participantes para mostrar desde princípios básicos de elétrica, eletrônica e programação, até tecnologias de ponta dentro do universo das mídias digitais. Tudo isso para no final do processo, construirmos pequenas instalações artísticas, utilizando materiais e equipamentos reciclados, mostrando estes resultados para o público que passar pelo Galpão. Ao final da jornada, poderemos dizer que os participantes se tornarão oficialmente gambiologistas: especialistas em produzir instalações baseadas no estudo das gambiarras.

E o que é um gambiologista? Qual a diferença dele pro maker?  E o que faz um gambiologista, um maker, um fazedor?

Palm: Gambiologista é uma palavra que vem surgindo posteriormente aos processos ligados ao coletivo MetaReciclagem nos últimos anos. Vários grupos e pessoas vêm assumindo o termo Gambiologia como a ciência que estuda as gambiarras. Nada mais justo do que chamar um fazedor-utilizador de gambiarras como Gambiologista, ou seja, um tipo especialista em gambirarras. Mas nada disso é novo, pois já diz o velho ditado “a necessidade é a mãe da invenção”.

Na minha concepção, maker é um termo inglês para fazedor (e vice-versa). Um gambiólogo nada mais é do que um fazedor, que se utiliza de técnicas de gambiologia para produzir suas idéias. Estes rótulos por vezes apenas confundem mais do que explicam, o importante é o espírito e a energia que se colocam no ato de fazer, independente da forma ou a técnica  com  a qual se trabalha.

E o que é este Kit Gambiologista?

Palm: O que estamos chamando de Kit do Gambiologista é um material básico que podemos encontrar em qualquer loja de ferragens ou depósito de construção espalhado pelo país. Trata-se de uma maleta contendo itens simples, mas que poderiam “salvar o mundo” sendo bem utilizados na mão de um gambiólogo: uma faquinha, um pedaço de arame, um pedaço de massa epóxi, fita adesiva e alguns outros componentes de fácil aquisição e de grande utilidade.

E por que é importante trabalhar com essa dimensão dos materiais mais simples (e nem por isso menos potentes)?

Palm: A ideia do projeto é conseguir passar pra galera participante três conceitos que acredito ser fundamentais para um pesquisador-produtor-desenvolvedor de tecnologias em nosso país: primeiro, assumirmos a originalidade nas soluções (o “jeitinho brasileiro”), quando não se tem dinheiro ou acesso a materiais sofisticados. Em segundo lugar, romper o preconceito com a física e a matemática, aplicando (e replicando para nossos amigos) estes conhecimentos na prática. E talvez a parte mais importante: passar a ter responsabilidade ambiental, não só reduzindo a produção de lixo eletrônico, mas principalmente, conhecendo e reutilizando partes e componentes de equipamentos descartados, com segurança e proteção pessoal.

E o curso é para quem já mexe com tecnologia? Precisa saber programar?

Palm: Precisa só saber SE programar! O mais importante neste processo é que os interessados possam dispor de tempo para mergulhar de cabeça no processo.  Durante estes 10 dias teremos muito conteúdo transdisciplinar rolando no laboratório, o que vai exigir muito tempo e dedicação dos participantes. Tecnologia digital, programação e técnicas em geral serão mostradas neste meio tempo, então para se inscrever, só é necessário que as pessoas interessadas tenham tempo, vontade, dedicação ao processo e criatividade. São estes componentes que formam um legítimo gambiologista.

Mais alguma coisa que vale dizer a quem está pensando em se inscrever?

Palm: Vale lembrar que independente de nível escolar, gênero ou classe social, o que vale neste projeto é a criatividade e a vontade de fazer. Então se as pessoas interessadas já são fazedoras experientes, ou começaram agora a construir suas boas idéias, mas estão afim de encontrar com outras pessoas que estão também querendo fazer, este é o lugar para se estar. E aí lembrando que o fazer pode ser uma roupa que você costurou e fez em casa, um conserto de um equipamento velho, uma engenhoca maluca, enfim, vale qualquer coisa. Só não esquece de contar para a gente o que você pensou e como fez.

Relembrando: para se inscrever, envie até 3/7 um email para solosculturais@observatoriodefavelas.org.br com uma foto ou vídeo de uma gambiarra feita por você  + a descrição em texto (no corpo do email mesmo) contando qual foi a ideia e o que você fez.

Mais informações: solosculturais@observatoriodefavelas.org.br

 

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