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Guia Cultural de Favelas

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22/10/2012 | Notícias / Todos os territórios

Comunicação para a liberdade

Entre 16 e 19 de outubro, acontece o I Seminário Regional de Comunicação Comunitária na Puc-Rio Entre 16 e 19 de outubro, acontece o I Seminário Regional de Comunicação Comunitária na Puc-Rio

Durante o período de 16 a 19 de outubro, acontece na Puc-Rio, o I Seminário Regional de Comunicação Comunitária. Nesta terça-feira, primeiro dia de evento, o intuito foi discutir o que é comunicação comunitária e quais os principais desafios e perspectivas do campo na contemporaneidade.

A mesa de abertura teve a presença de Miguel Pereira (Projeto Comunicar PUC-Rio), Augusto Sampaio (Vice-reitor comunitário da PUC-Rio), Gizele Martins (do jornal O Cidadão), Marcelo Ernandez (Laboratório de Comunicação Dialógica – FCS/UERJ) e Adair Rocha (Professor de mídias locais da PUC-Rio). O momento foi marcado por uma discussão sobre a importância do diálogo entre a produção acadêmica e as experiências de comunicação locais. “Não adianta fazer ciência para a estratosfera. Temos que fazer para o cotidiano. Isto é muito importante para a universidade. É uma forma de se integrar a experiência da comunidade. Não há como pensar a sociedade sem esta interação”, observou o professor Miguel Pereira.

A mesa “O que é comunicação comunitária?”contou com a participação de Tião Santos, fundador da primeira rádio comunitária, a Novos Rumos, e atualmente coordenador do Viva Rio; Thiago Ansel, do Observatório de Favelas; Daniel Perini, da Fábrica dos Sonhos e Patrícia Saldanha, professora de comunicação da UFF.

Primeiro debate da semana: O que é Comunicação Comunitária? Foto: Victor Viana

Tião Santos abriu o debate fazendo um resgate histórico sobre a constituição do campo da comunicação comunitária a partir da experiência dos movimentos sociais. Tião criticou a lei 9.612/98, que regula sobre a radiodifusão comunitária. Uma das principais questões para Santos é a dificuldade imposta pela legislação para que os veículos tenham acesso à patrocínios. Ele concorda que as Rádios Comunitárias, não devem possuir fins lucrativos, mas afirma que isso não deveria impedi-los de ter direito à recursos que garantiriam a sua sustentabilidade.

O coordenador da Viva Rio disse que a internet tem ajudado na democratização da comunicação, mas que a situação das rádios comunitárias ainda está longe de ser a ideal. “Há uma distância muito grande da verdadeira democracia. Ainda não temos o domínio do nosso espaço.”, concluiu.

Thiago Ansel trouxe para o debate, resultado do projeto “Mídia e Favela”, um levantamento de mídia alternativa em favelas e espaços populares da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com o levantamento realizado em 2011, foram identificados 104 veículos, dos quais 73 responderam ao questionário elaborado pela equipe do Observatório. Entre os principais resultados do levantamento, descobriu-se que mais da metade dos veículos apareceu na década de 2000, impulsionada pelo acesso às tecnologias de difusão de informações. O levantamento identificou ainda que a grande maioria dos veículos tem grande dificuldade de se manter e de acessar recursos públicos e privados.

“A comunicação comunitária é uma forma atualizada do direito à liberdade de expressão, que compreende o acesso aos veículos pelos quais o morador possa se expressar publicamente. Estas mídias tem ainda fundamental importância em espaços como as favelas, pois também contribuem para a valorização da vida, denunciando violações e politizando as questões destes locais”, comentou Ansel.

A professora, especialista em publicidade comunitária, Patrícia Saldanha, destacou a importância do estabelecimento de condições para que as iniciativas de comunicação popular sejam sustentáveis. Ela também fez críticas à lei 9.612/98 e às suas restrições sobre este ponto. “Comunicação Criativa só acontece se tiver como pagar. Precisa pagar o aluguel, o profissional etc. Se não tem dinheiro, as pessoas acabam largando e é por isso que os veículos comuns se hegemonizam. Não precisa ter lucro, tem que ter renda”, ponderou.

Daniel Perini, da Fábrica do Futuro, residência criativa de audiovisual, destacou os projetos que tem realizado na cidade de Cataguases (MG). Perini exibiu filmes criados pelos alunos e projetos que fizeram pela cidade, mostrando como é necessário articular este tipo de ação aos espaços públicos da cidade para garantir maior visibilidade. “O mais importante é que esses jovens trabalhem com mais autonomia, o que é fundamental para fazer comunicação comunitária”, afirma Perini.

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